Sábado, Julho 23, 2011

Enfim, o descanso

No começo da tarde, estava me preparando para ir ao shopping, quando me bateu uma vontade irresistível de ouvir Amy Winehouse. Ouvi enquanto acabava de me trocar e só mais tarde, quando encontrei um amigo, ele me deu a notícia.
Ainda não sei de nada, como foi, a causa, quem encontrou o corpo. Ele só me disse que tinha ouvido sobre a morte, mas que ainda não sabia os detalhes. E é sem saber de nada e com muito pesar que escrevo este post.
Sempre achei a história dela muito trágica. Lembro que uma vez, numa das minhas incursões pela internet madrugada adentro, fiz uma pesquisa completa sobre ela. O começo, o primeiro CD, as músicas, a paixão pelo marido, a decadência. Mergulhei fundo na história, li matérias, artigos, blogs, vi vídeos, entrevistas, shows, apresentações e, claro, zilhões de fotos. Quando mais me aprofundava, mais chocada eu ficava.
É fácil traçar um histórico a partir das primeiras aparições, quando ela ainda tinha uma carinha saudável, cantava divinamente e tinha até um quê sexy. Ainda não tinha o visual anos 60, mas a voz era a espetacular de sempre. Era uma menina sendo descoberta pelo mundo, naquela época, embora a imagem que a maioria guarde dela seja outra. Uma Amy de uma magreza cadavérica, dentes faltando, em muitas fotos bêbada, com pó no nariz, ar distante, bituca de cigarro entre os dedos, unhas sujas, descalça, correndo alucinada pelas ruas. Lembrava em muito os drogados da Praça da Sé ou do Centro Velho de São Paulo. Algumas fotos dela realmente chocam, especialmente quando comparadas às daquela moça de olhar atrevido e visual quase comportado do primeiro álbum, Frank.
Já no fundo do poço, numa tentativa inútil de melhorar a aparência, colocou silicone e a mim ficou mais estranha ainda: esquelética e com aqueles peitos artificiais que destoavam do resto. Ao menos mostrava que ainda existia o resquício de uma Amy vaidosa, apesar de tudo.
Ela tinha apena 27 anos, mas parece ter vivido um milhão, tamanha a quantidade de altos e baixos de sua curta carreira. Era uma mulher intensa, passional, mas extremamente frágil. Em pouco tempo deixou de ser a cantora brilhante para ser a “cantora-problema”, a bad girl, ou simplesmente a maior drogada do showbizz. Cruel, a imprensa a transformou numa caricatura, quase uma piada. Cada movimento seu era vigiado de perto e se sua performance nos palcos não era a mesma, os arroubos na porta de casa, as brigas, bebedeiras e escândalos em pubs, bares e hotéis sempre rendiam assunto para os jornalistas e urubus de plantão. À medida que definhava na frente de todos, o mundo parecia apenas aguardar o dia de sua morte. Até um bolão especulando a data foi criado. Parecia que ninguém acreditava numa recuperação.
Quando ela veio ao Brasil, mais gordinha e animada, achei que as coisas estavam tomando o rumo certo, que ela estava, enfim, se recuperando. Porque no final, foi isso que ela sempre foi: uma pessoa doente. Primeiro dependente daquele marido filho da puta, Blake Fielder-Civil, a primeira droga da vida dela. Depois, das drogas propriamente ditas, justamente apresentadas por ele. Sempre imagino como teria sido a vida ela se não o tivesse conhecido. Talvez anos de carreira, muitos CDs, shows perfeitos. E nós sendo apresentados com uma voz não inconfundível.
Ouvir Amy é sempre viajar, entrar em outra dimensão. Infelizmente, o sonho acabou. Durma bem, Wino.






Quinta-feira, Fevereiro 24, 2011

Gueixas


Outro dia eu estava assistindo TV e dei de cara com a Dani Suzuki apresentando a nova temporada do programa “Pé no Chão”, no Multishow, direto do Japão, mostrando o mundo das gueixas. Fiquei nas nuvens, claro. Sempre digo, eu devo ter nascido na terra do sol nascente em outra vida!! Coincidentemente, eu tinha assistido poucos dias antes o filme “Memórias de uma gueixa”, que eu amo de paixão (embora me faça lembrar da minha Hatsumomo, uma editora japa que tava mais para Yakuza e que infernizou minha vida, fazendo eu me sentir tão miserável quanto a pobre Chiyo, do filme).
Fiquei chocada com a atitude da Dani. Primeiro, ela estava com uma cara amarrada, como se tivesse odiando fazer a matéria. No começo, achei que fosse um pouco de charme, mas depois percebi que ela estava mesmo incomodada: com a roupa, os sapatos, o penteado, os costumes, a cultura. Reclamou de quase tudo e em alguns momentos dizia não entender como as moças suportavam aquela vida. Mal-educada! Achei de um profundo desrespeito, não só com a cultura e com as pessoas que a receberam lá, mostrando como funcionava aquilo, mas até com o próprio telespectador. Se for alguém como eu, então, chata e fã da cultura japonesa, danou-se tudo. Pior foi quando ela soltou a frase “é bom a gente conhecer um mundo tão diferente, uma realidade tão diferente da nossa”. Vamos combinar: a pessoa, de descendência japa, não está tão longe das gueixas assim, né? Não adianta dizer que é “garota carioca” não, por comigo não cola. Zero pra ela.

Terça-feira, Fevereiro 22, 2011

Denise Johnson sai da GM


Exatos sete meses após o anúncio de que assumiria a presidência e diretoria geral da General Motors do Brasil, a americana Denise Johnson anunciou hoje (22) que vai deixar o cargo. A executiva não revelou o motivo real de sua saída, limitando-se a alegar “motivos pessoais”.

A nomeação de Denise ocorreu em junho de 2010, quando a GM anunciou sua nova estrutura organizacional, envolvendo a criação da GM América do Sul, que passou a ser comandada por Jaime Ardila, antecessor de Denise. Antes de liderar a GM Brasil, a executiva ocupou o posto de vice presidente de Relações Trabalhistas da organização.

Primeira mulher a comandar a empresa no País, a expectativa era grande em torno da atuação de Denise. Eu, particularmente, esperava que ela promovesse mudanças significativas, mostrando ao setor, tradicionalmente masculino, que as mulheres também entendem de carro. Uma pena.

Sábado, Fevereiro 19, 2011

Separados no nascimento

Gente, o Mark Stephens, um dos advogados do Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, não é a cara da Susan Boyle?? Praticamente irmãos!!!!






Sexta-feira, Novembro 19, 2010

Deuses da comunicação



O jornalismo continua me impressionando. É uma profissão deliciosa, que pode te levar a momentos de pura realização e sensação de dever cumprido. Em contrapartida, é uma profissão que facilmente te desvirtua e não é raro perceber alguém perdendo noção da realidade e se esquecendo da ética, do profissionalismo e do verdadeiro significado da profissão. Depois da expressão “quarto poder”, muitos jornalistas deixaram de ser meros mortais e tornaram deuses.
Esta semana passei por uma situação que me evidenciou isso: demiti uma repórter. Era para ser uma coisa simples, já que ela ainda estava em experiência. Não tinha o perfil da empresa e também não sabia se queria continuar aqui – disse isso inúmeras vezes, sem cerimônia e em ocasiões diferentes.
A reação dela, porém, me deixou surpresa. Saiu revoltadíssima, garantindo que diria a todos que eu a tinha demitido. ???. Uma ameaça, mas na hora nem percebi. Algumas ligações depois, saiu batendo o pé, com nariz empinado e, com um ar de puro deboche, disparou: “Estou indo para a revista X”. “Ótimo”, pensei. Vá com Deus e a pomba do divino, como diz minha sábia mãe.
Mais tarde, avaliando a situação, me perguntei o porquê de tudo aquilo. Que tipo de pessoa age assim? Alguém que trabalhou em Brasília. Alguém que tem um namorado também jornalista e, dizem, mega conceituado. Que trabalhou em ministério e jornal de grande circulação. E daí? Nada justifica os absurdos ditos, a ameaça, o tom de desdém em relação à empresa que estava deixando. Até agora não sei se foi a demissão em si, a minha justificativa ou o fato de termos discutido um pouco antes, por causa de algumas alterações que ela se recusou a fazer em uma matéria. Qualquer que seja o motivo, mostra que ela se julgava boa demais para trabalhar comigo ou com a equipe. Aliás, ao que parece era boa demais também para atuar no ministério ou no jornal (uma amiga em comum disse que ela saiu rápido de ambos os lugares e brigando com as respectivas chefias).
Uma pena. Era competente, apurava bem e tinha um bom texto. Mas pelo jeito, se julgava acima da profissão. Acho que ela tinha chegado ao perigoso estágio de se imaginar integrante do olimpo da comunicação, sendo um daqueles seres iluminados, que pode fazer ou dizer o que quer sem sofrer nenhuma conseqüência. Um erro comum, já que jornalistas são pessoas comuns e um veículo de comunicação é uma empresa como outra qualquer.
Talvez ela tenha se inspirado em Mercúrio, deus dos escritores, intelectuais e jornalistas, e que representa a inteligência e a comunicação. Só que Mercúrio também proteje aos ladrões e é considerado o mais trapaceiro dos deuses, justamente pelo poder da comunicação. Talvez ela devesse se espelhar mais em São Francisco de Sales, o padroeiro dos jornalistas. Ou mesmo em Santa Clara, que protege contra a falta de comunicação...

Domingo, Novembro 07, 2010

Como uma deusa



O que não é o ócio...a pessoa fica em casa, sem ter o que fazer, aí começa a fuçar em sites e se depara com a seguinte chamada:

“Depois de quase perder a mandíbula por cirurgia malfeita, Pete Burns faz plástica”

Ah vá!

O vocalista da banda Dead or Alive disse ter feito lifting e corrigido a área dos olhos. “Mexer no rosto para mim é como comprar um sofá”


Perdoem o trocadilho, mas a notícia é fresca, porém não exatamente uma novidade: mais uma plástica feita pelo(a/??) ilustríssimo cantor inglês Pete Burns? Só falta isso mesmo, arrancar um teco. Já mexeu onde deu, mudou tudo de lugar e agora só falta tirar alguma coisa para virar de uma vez uma coisa totalmente disforme. "Ô seu médico, perdi a mandíbula? Blz! Põe uma de aço no lugar. Assim, ao invés de transformista vou parecer um transformer! Praticamente o Optimus Prime!!"

Bom, de cara, esclareço que o caso Pete Burns me intriga. O Pete, essa criatura que mais parece uma mistura mal acabada de Rosana com Cher (e primo da Elke Maravilha), já foi um homem – muito bonito, diga-se de passagem. Nos anos 80, ele foi vocalista da banda Dead or Alive e me fez dançar muito ao som de músicas como “You spin me round” e “Come home with me baby”. Só que surtou ao deixar que a alma feminina passasse a ditar sua aparência - uma alma de tremendo mau gosto, devo ressaltar.

No auge do sucesso, o Pete era fofésimo e, apesar do comportamento, digamos, atrevido (usava maquiagem carregada, roupas coladas, unhas compridas e pintadas e desmunhecava ao ver um bofe que era tudo!), garantia ser um homem bem resolvido, tanto que era casado com uma mulher, como determina o manual hétero. Não era gay, apenas um homem moderno e “aberto a novas experiências”. Aham. Até aí, tranqüilo.Com o fim do casamento de mais de 25 anos, Pete assumiu o lado Rosana, com direito a bochechas e lábios absurdamente inchados, além de outras 100 intervenções no rosto e corpo. Ah, e aproveitou a libertação para casar com outro cara. Tipo...Hello?? Cadê o homem resolvido??? Resolvido a agarrar um bofe, pelo jeito.

O fato de ter se assumido não é nada. Se tivesse se assumido e continuado gatinho, faria o maior sucesso. Ia ter fila de bofe querendo dar uma sapecada. O grande problema é ter decidido virar mulher e ter se transformado numa baranga de prima!! Pete, meu filho, podia até ter mudado de sexo, mas podia ter continuado bonito. Vide aí exemplos tupiniquins, como Roberta Close, Renata Finsk e até a amiga do jogador Adriano, Patrícia Araujo. Todas são mulheres(!?) esplendorosas. Agora você....que boca é essa?? Aliás, a cara toda parece que vai explodir a qualquer minuto, de tão inchada - resultado das injeções de poliacrilamida. Os cachos já eram e agora ele ostenta uma longa cabeleira lisa e preta, em contraste com a pele branca, num visual meio Morticia Adams. Mas o erro mortal foi deixar a pança de chopp (tão comum nos homens) crescer. Parece uma Rosana/Cher/Morticia/Elke Maravilha prestes a parir um alien. Pior é que ele(a) já tem 51 anos, o que significa que começou a descer a ladeira. E as roupas, meu Deus?? É cada peça horrorosa, com cara de bazar mequetrefe organizado pela manicure vizinha da minha mãe. Já apareceu loiro, moreno e até com o cabelo verde. Não adianta, não há Marco Antonio di Biaggi e Fernando Torquatto que dêem jeito numa aparência tão bizarra.

O que ele(a) vai fazer quando aparecer mais rugas e pés de galinha?? Esticar mais? Não é à toa que a mandíbula quase foi pro buraco. Agora imaginem a criatura feia do jeito que é, e sem mandíbula!!! E pensar que ele foi só “corrigir os olhos”. É, ainda está enxergando - isso deve ser ruim. Resumindo, o Pete é doido de pedra e encontrou um mais doido ainda disposto a casar com ele. O que me faz pensar na minha mãe dizendo que para todo pé inchado, tem sempre um chinelo velho. Vale a pena ver o antes e o depois da criança:

















Sábado, Novembro 06, 2010

Rock nacional de qualidade


É totalmente imersa em nostalgia que escrevo este post.
Estou com a veia oitentista mais saltada do que nunca, culpa do último episódio do programa “Por toda a minha vida”, da Globo, que falou sobre a banda RPM.
Ah, minha adolescência....Quanta saudade!!
Ao som de Louras geladas, Olhar 43, Revoluções por minuto e até da enigmática Naja, eu curti muito. Mesmo! Até fui a um show deles (só não lembro onde...rs). É maravilhoso ouvir aquelas músicas outra vez e perceber o quanto o Paulo Ricardo era um ótimo letrista. Apesar dos anos, muitas letras se mantiveram totalmente atuais, como em Alvorada voraz. Foi uma loucura o sucesso deles: a mulherada era histérica, enlouquecida, especialmente com o Paulo Ricardo e o Deluqui (realmente, ambos um espetáculo, apesar do mullet horroroso e das ombreiras gigantes). As letras eram fortes, inteligentes, bem escritas e cheias de mensagens. E ainda tinha o Schiavon, com os sintetizadores dando um toque modernoso à coisa toda. Sucesso instantâneo, queda idem. Uma pena, já que a banda acabou meio esquecida pela galera. Acho que ego foi mesmo um problema, mas não muda o fato de os integrantes serem talentosos e merecerem respeito - ainda que o Paulo tenha cometido algumas gafes terríveis, como bancar o semi-Wando durante um período. A verdade é que os caras venderam mais de 3 milhões de discos e viraram lenda. Bom, eu continuo navegando pelos mares dos anos 80, guiada pelo RPM, Zero, Metrô, Ultraje a Rigor, Biquíni Cavadão.....Nessa época sim, existia rock brasileiro!

Sexta-feira, Setembro 24, 2010

Eleições 2010: candidatos ou integrantes de circo?



E o horário eleitoral continua diversão garantida.....Tem candidato para todos os tipos e para todos os gostos. Impossível não rir e, ao mesmo tempo, não se indignar com as criaturas que invadem nossa TV. É um desfile de barbaridades, uma esculhambação total daquilo que deveria ser um exercício de conscientização e não apenas da tão aclamada democracia. Partindo do Tiririca, que continua ridículo, mas deve ser campeão em votos (fato que tem irritado muita gente, inclusive o novato Paulo Skaf) apesar do cínico slogan “Vote Tiririca, pior do que está, não fica”, passando por Suelen Aline (nome de piriguete, vamos combinar!), vulgo mulher-fruta, mais especificamente, uma Mulher- Pêra (que já ganhou a simpatia de um desorientado Suplicy), Netinho de Paula (praticamente um "homem-fruta", que gosta de balançar a JACA e praticar boxe com as esposas), Caju (sem o Castanha - ainda bem, porque seria fruta demais em Brasília), Maguila (nosso Rocky Balboa tupiniquim que, ao contrário do Netinho, não pratica mais boxe com ninguém porque ganhou muitos quilos extras e agora só vai lutar "pelas criança"), Kiko e Leandro (os meninos do KLB, grupo que pelo jeito faliu e, apesar de não dançarem, não cantarem e nem lutarem por nada, são devidamente “apadrinhados” por Zezé Di Camargo - ser apadrinhado é justamente a última moda nessa eleição), Lecy Brandão (que não quer saber de moda, nem de desfile, muito menos de carnaval, pois cansou de comentar e decidiu ganhar uns trocos na política), Ronaldo Esper (aquele que, apesar de ainda se imaginar no mundo da moda, passa o tempo surrupiando vasos no cemitério), uma dupla (não sertaneja) de “Lucianos”, que são uma versão mais jovem do saudoso Enéas e berram como o mestre, o marido da Mara Maravilha (que agora é uma serva do Senhor e apóia o marido, obviamente, também “iluminado”), Vampeta (o super dotado), passando por candidatos anônimos absolutamente assustadores, com caras esquisitas, vozes estranhas, caras engraçadas e nomes esdrúxulos: Nice da Chinela, Chinelo (podia dar casamento, né? os dois não soltam as tiras...), Cigana, Boca Nervosa (??), Mancha...Enfim, o que se vê é um festival de pessoas muuuito esquisitas e que nada vão contribuir com o País. Isso sem contar os políticos "de verdade", como o excelentíssimo Sr. Valdemar Costa Neto. Este merece um mini CV: ex-deputado federal (pois é, a critura já renunciou, mas tá tentando voltar), ex-presidente do PL, ex-amigo do peito de Delúbio Soares, Valdemar foi acusado de estar envolvivo no escândalo do mensalão e chegou a admitir ter recebido propina. Para coroar a vida pública, ele também foi alvo da imprensa ao terminar seu casamento com a socialite Maria Christina Mendes Caldeira, a qual o digníssimo marido resolveu expulsar de casa sem maiores explicações e, ao não ser atendido, mandou cortar luz e água da casa, enquanto ia passear com uma ex-namorada pela Amazônia. Um exemplo de conduta não? Como homem, marido e, claro, parlamentar....Que infortúnio!!! Cuidado com seu voto no dia 03. Essas criaturas podem te assombrar por quatro longos anos.

Domingo, Agosto 22, 2010

Morte da TV aos domingos


Em pleno domingo, eu quase me desintegrando de preguiça, sem vontade sequer de existir, resolvi dar uma zapeada na TV. Passei pela Globo no exato momento em que o Faustão apresentava o quadro onde mostra a profissão dos artistas antes da fama. E aí ficou claro que a platéia do programa é tão lesada quanto o apresentador. “Essa pessoa é atriz, nordestina e tem 3 filhos”, dizia o chatolino ex-gordo. Resposta de alguém da platéia “Cléo Pires?”. Sem comentários. “Essa pessoa é cantor, carioca e já participou muito aqui do programa”. Resposta: “Marcos Pasquim?”. Claro, que começou a cantar hoje”, ironizou o gordo. Hilário! rs. Outra tentativa. “Neymar?”. ????. Novamente, prefiro não comentar. Mais dicas vieram. “Cantor, carioca, e começou a vida catando caranguejo. “Reinaldo Gianechinni?”. “Jesus!”, pensei. “O Giani andava atolado no mangue lá em Birigui, claro...Deve ter sido lá que conheceu a Gabi. Povo sem noção!!”. Daí o Fausto deu o golpe de misericórdia. “O nome dele é Claucirnei Jovencio”. De repente, entra o (Claudinho e) Buchecha e diz “É, Fausto, começei minha vida catando caranguejo”. Claucirlei Jovencio???? Desliguei a TV. Alguém salve os domingos!!!

Separadas no nascimento

A propósito, vou inaugurar uma nova seção aqui: separados pelo nascimento.
Vou começar pela Mariah Carey. Ela não é a cara da Cristina Galvão, a Filó,que cuidava das "rolinhas" de um tal coronel, na novela Tieta? (Quem não conhece, joga no google). Se a Cris clarear o cabelo, pode bancar a diva!!

















Rechonchudinha, né?


Well...E contrariando as expectativas, a Mariah Carey veio mesmo para o Brasil, cantar pra peãozada. Particularmente, não gosto dela, mas não poderia deixar de comentar a passagem da moça por aqui. Primeiro, porque duvidei de que a “diva” (?) realmente viesse. Segundo, porque eu tava louca pra comentar sobre o visual da criatura que, entre quilos a mais e especulações sobre uma gravidez (ela anda balofinha há tempos, mas o tal filho nunca nasce!), ela mostrou, mais uma vez, que é muito sem graça. Pior é que sempre insiste numa atitude sexy, com vestidos apertados e o peito sempre explodindo num decote gigante. Ontem, em Barretos, ela estava até comportada. E brega, claro. Um vestido tipo princesa, no melhor estilo “Encantada”, só que preto, horroroso, que deixou ela mais parecendo um bolo de festa. Um vestido curto, brilhante, com o famoso decote, também não ajudou. E finalmente, uma camiseta branca, com um casaco por cima, xôxo, não conseguiram esconder a pança dela. Será que a Mariah tá grávida de novo?? Vai ver eram só gases, coitada...

Foda-se!!!




Nossa...Agora que percebi que fiquei tanto tempo sem escrever. Péssimo....Não acredito que abandonei a pobre caixa preta, principalmente porque tinha zilhões de coisas pra contar. Bom, como diz minha mãe,antes tarde do que nunca!


Retomo, então, ao post anterior. Sim, eu me mudei. Não, não gostei. O lugar era péssimo e eu, definitivamente, não conheço direito Santo André, então não sei porque cargas d'água achei que ia gostar de lá.


Só queria registar um comentário sobre a maldita empresa que fez a mudança: transportadora 10 (que de 10, só leva o nome). O atendimento foi péssimo, a equipe totalmente despreparada e o resultado não podia ser outro: um monte de coisas danificadas, de estante e armário arranhados a vidro de mesa quebrado. Até aí, relevei. Mas quando o cretino do dono começou a me evitar, querendo me enrolar ao máximo, tive a certeza de que ali rolava picaretagem pura. Foram dezenas de ligações, solicitações, acordos e nada cumprido. As coisas ficaram do mesmo jeito e eu, sem muito tempo pra ir atrás dos meus direitos, acabei deixando a coisa passar, depois de mais de 2 meses tentando fazer com eles resolvessem meu problema. Fiquei tão ocupada tentando sair do meu ex-quase-perfeito-cafofo-novo que deixei aquela gente sem a devida denúncia. De qualquer forma, vale o registro. Quem se dispuser a fazer uma mudança, passe longe da tal transportadora 10.

Sexta-feira, Janeiro 29, 2010

Na rua dos bobos, nº zero


Prestes a mudar de cafofo pela milésima vez, eis que dou de cara com a nova lei do inquilinato. Das notícias que li, percebi que todo mundo dizia que a tal lei ajudaria as pessoas na hora de alugar um imóvel, mas avaliando cuidadosamente percebi que a coisa não é bem assim. Pra mim, os maiores beneficiados serão os próprios locatários. Sabe os locatários? Aquelas pessoas idôneas e de bom coração? Aqueles seres iluminados, com vários tetos disponíveis e que, de tão bons, resolvem disponibilizar um teto para quem não dispõe de um? Pois é, são eles os verdadeiros injustiçados e por isso a lei vai dar uma força. Eles sofrem na mão de odiosos inquilinos, aqueles seres do mal, desprovidos de grana pra comprar a própria casa e que nem reconhecem a sorte que tem, muitas vezes se recusando a pagar o aluguel (e daí que perdeu o emprego?!). Aliás, nem cuidar bem do imóvel conseguem. Afinal, como li num jornal de grande circulação, é absurdo alguém ter 80 imóveis e não alugar porque tem medo de ter inquilinos ruins. Coitados...."Ó céus, como é difícil ter todas essas casas!”. O que é mais difícil: ter trocentos imóveis e medo de alugar ou ter que enfrentar a dura batalha de conseguir alugar? Ter que se submeter a um rigorosíssimo processo de avaliação, vender a alma ao diabo e à seguradoras , pagar uma taxa absurda para uma simples avaliação e, se aprovado, pagar um aluguel e meio (ou dois) pelo seguro-fiança (pelo simples fato de atualmente ninguém se arriscar a ser fiador) e, o melhor de tudo: pagar durante intermináveis 30 meses um valor alto e que sabemos que nunca voltará? O que será mais penoso??? Inferno.
Com a nova lei, o despejo será mais rápido, por exemplo. Atrasar o aluguel, nem pensar!!! No máximo, duas vezes. Se por acaso esquecer, na terceira fodeu. Se o fiador também encontrar um fulano que ofereça um valor mais alto do que o que você paga, fodeu também. Ele tem o direito de te chutar de lá. Problema seu se não tiver pra onde ir. Acredita-se que os preços devem cair, pois haverá aumento na oferta de imóveis (particularmente duvido muito que locatários e imobiliárias queiram diminuir sua rendinha extra). Dizem também que será possível alugar sem um fiador. Então tá! E vão morar todos juntos: papai noel, coelho da páscoa e o saci pererê. Se isso se tornar uma prática, corto minha mão fora. Ou melhor, meu precioso cabelo....rs...E ainda tem a questão da multa rescisória que, segundo verifiquei, a partir de agora passa a ser proporcional. Como assim, “a partir de agora”?? Há anos fazem isso! As imobiliárias sempre cobraram multa proporcional. Então, antes não era lei? Todas disseram que era! Fiquei rosa-chiclete. Isso sem contar que o seguro só pode ser feito pela corretora que a própria imobiliária indica e que provavelmente deve ser de algum parente do dono da merda da imobiliária! Ou dele mesmo!!!!!! Respirei fundo, mentalizei um mantra e me acalmei.
Munida dessas informações e ciente de que a lei já estava em vigor, tentei argumentar na imobiliária. E ao propor que me alugassem sem seguro-fiança ou fiador (o que diziam ser fácil), a moça da imobiliária me olhou como se eu fosse um E.T. Depois exibiu um risinho sarcástico, quase de desdém, enquanto examinava as unhas descascadas e dizia que o proprietário não faria contrato sem um ou outro. Fiquei imaginando como seria bom eu dar um tiro naquela cara de sonsa e acabar com aquele risinho cínico!!! Nas entrelinhas, ela deixou claro que se eu não concordava, eles alugariam para outra pessoa. Assim, tive que enfiar o rabo entre as pernas e dizer amém. Decidi que a partir de agora, vou economizar pra comprar meu próprio cafofo. E vou dizer adeus à máfia dos aluguéis.

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

A cinderela da periferia



Eu sei que estão todos meio de saco cheio de ouvir falar da Geyse Arruda e até evitei falar a respeito, mas depois de ler e ouvir tanta coisa, decidi que não podia ficar de fora.
Ainda mais depois que descobri que a criatura agora anda com síndrome de estrela, pedindo camarim exclusivo e cesta de frutas (é, ela descobriu que precisa fazer regime). Só faltou pedir 100 toalhas brancas felpudas para garantir o status de celebridade.
Obviamente não cabe a mim julgar o tal incidente na faculdade, mas como existe liberdade de expressão, posso dar meus pitacos. De cara, digo que acho um exagero essa fofolete ficar aparecendo o tempo todo como se fosse realmente uma celebridade ou alguém que tenha muito a dizer. Ela nunca tem muita coisa a dizer e isso é evidente em todas as entrevistas. O pior é a mídia insistir em nos enfiar a fulana goela abaixo, como se quiséssemos dar de cara com ela repetindo sempre aquela mesma história do tal vestido rosa em todos os canais de TV, jornais e revistas. Concordo com a Hebe: já foi, já resolveu, chega.
Claro que achei uma estupidez o que fizeram com ela, mas, sem querer bancar a advogada do diabo, duvido muito que ela seja a boa moça que andam vendendo por aí. Uma olhada atenta nas fotos dela (geralmente usando trajes minúsculos, que ela assumiu gostar de usar sempre), e o que vemos é muito beicinho, olhar de femme fatale e poses duvidosas. O problema, minha gente, é que ela deveria saber que a maneira como nos vestimos diz muito de nós e causa impressões. Sou mulher e sei a reação que um vestido um milímetro mais curto provoca. Repito, nada justifica a atitude retrógrada, mas daí a transformarem ela num ícone já é um pouco demais. E é exatamente isso o que estão fazendo: a pessoa está virando uma referência para a juventude (!), um exemplo de injustiça, de preconceito e - a cereja do bolo – exemplo de mulher bonita e gostosa (!!!!!!!!!!!!!!!).
Ela pode ter sido hostilizada, humilhada, ridicularizada e bla bla bla (cá entre nós? sempre me pergunto o por quê daquele povo da faculdade estar tão irado...Será que foi só pelo vestido mesmo? Bom..xapralá!), mas chamar ela para posar em revista masculina é quase um crime! Ela é feia sim. E gorda também. Aliás, era. Acabou de entrar na faca e passou horas em uma mesa de cirurgia retirando enormes fatias de bacon da pança, enxertando na bunda (nunca tinha visto gorda sem bunda) e ainda colocou silicone nos peitos caídos (e quem duvida disso, é só dar uma olhada numa matéria do Fantástico e ver o “lourão” com um vestido decotado e um par de peitos muito parecido com os de uma mãe de oito filhos). Dizem que o corpo da moça foi totalmente remodelado e inspirado no de ninguém menos que Carla Perez. Dizem que o Fantástico, comprovando o péssimo programa que se tornou, mostrou o resultado antes da moça exibir o novo corpitcho durante o carnaval (pois é, ela vai desfilar pela Gaviões da Fiel). Bom, agora só falta ela ir depois no Jô e dizer que o hobby preferido dela é um preto...

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

In the dark


Este post é um tanto diferente. Está sendo escrito no meio do apagão que, se confirmado, será mais um que entrará para a história brasileira: as 20 turbinas da usina de Itaipu pararam e oito torres caíram. O resultado é o caos total nas regiões Sul e Sudeste, que ficaram na escuridão e enfrentam problemas como trânsito caótico (imagine quem está parado agora em algum cruzamento de São Paulo), falta de transporte coletivo, dificultando o retorno para casa, bem como dificuldade em hospitais, aeroportos, telefones sem funcionar, além da falta de informações concretas (o único veículo que consegue passar alguma informação é o rádio – o celular do Caio nos salvou).
Fica a dúvida sobre até quando vai durar essa situação. A expectativa do governo é de que a situação se normalize durante a madrugada e eu espero realmente que esse lance se resolva. Sou uma mulher urbana e apesar curtir um pouco a situação, achando até agradável desligarmos tudo e ficarmos simplesmente conversando, sinto falta de acessar a internet agora e saber exatamente tudo!!!
Qual terá sido a causa? E as conseqüências? Será que houve casos de violência, assalto? O povo tá todo se manifestando: o ministro Lobão está no rádio agora, tentando acalmar os jornalistas com informações pouco precisas. Agora há pouco era o Kassab. E certamente a essa altura alguém já tirou o Lula da cama: ("calma companheirosss....que saco, eu já ‘tava’ de pijama!").
Ninguém sabe ao certo, claro, já que fica difícil detectar as causas do problema agora. O governo informou que o problema não foi na geração e sim na transmissão, mas acredito que seja cedo para alguém afirmar qualquer coisa com certeza.
Aproveitei para escrever um pouco, já que estou sem sono ainda e estou curiosa sobre o andamento da situação. E aproveito para lembrar que há exatamente 10 anos houve outro apagão como esse, em 1999. Meu Deus, será que o nove é um número cármico, nesse caso? Tomara que nada de muito grave aconteça...
Bom, como eu disse, sem energia regredimos em muita coisa, mas ganhamos outras. Jantamos à luz de velas (sim, romântico, não fosse o cheiro de cera que inunda a sala...rs), conversamos um tempão (inclusive com os vizinhos, que saíram todos para suas respectivas varandas) e provavelmente dormiremos cedo (coisa que não costumo fazer).
Até que não está sendo ruim...Aproveito para terminar o post com uma indagação do meu filho: “nossa, não somos nada mesmo sem eletricidade, né mãe?”. É...não mesmo.

Segunda-feira, Maio 11, 2009

Freaks? Freak Le Boom boom!


Esse post é para avacalhar, pura e simplesmente.
Pessoas, olhem bem para essa criatura aí do lado. Reconhecem? Meg Ryan, a namoradinha da América na década passada. Pois bem. Será que alguém pode me explicar como a queridinha dos EUA ficou a cara da Gretchen???
Jesus!!! O que ta acontecendo com esse povo?
Descobri que ela estava com essa cara horrorosa outro dia, por acaso, no trailler de um filme. Quase não reconheci. O que aconteceu com ela? Síndrome de Melanie Griffith? Ou da Cher? Totalmente freak!!
Cadê a moça de rosto delicado de Cidade dos Anjos?
Se continuar assim, Meg querida, acho que se não rolar mais bons papéis, você pode aportar em terras brasileiras e tentar carreira como cover da rainha do rebolado. Não tem a busanfa da outra, mas isso é um detalhe...O beiço tá igualzinho!
Para testar, to quase levando essa foto para mostrar para a Verinha, mãe de todos da redação e que tem pavor da Gretchen: “Ela tem olhos fundos, esquisitos...Quando ela aparece na TV, mudo de canal, credo!”
Pois é, Meg, o povo tem medo desses bicos esquisitos, de olhos igualmente estranhos, puxados demais, de maçãs do rosto saltadas, de rostos que parecem de cera. E chega um momento em que nem o "boom boom" salva!!!

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Padecer no paraíso....MESMO!


Trabalho, trabalho e mais trabalho. Meu editor teve um AVC, está afastado por tempo indeterminado e, no susto, tive de assumir como editora. De quebra, a e empresa resolveu lançar um novo título e, com a equipe pequena, tivemos que nos virar, o que não foi fácil. Eu, incumbida de fechar também essa publicação, me vi às tantas com zilhões de tarefas. Pautar o povo, fotógrafo, fechamento, matéria para escrever, fechar no prazo... O pior: amo muito tudo isso!!!!! Trabalhar até tarde, apagar incêndio, ter que fazer mil coisas ao mesmo tempo. Isso simplesmente me alucina! Workaholic? Sei lá, talvez. No meio disso tudo, decidi contratar um frila para nos ajudar. E não é que ela se saiu bem? A matéria ficou boa e eu me senti ajudando alguém (como nunca fizeram comigo nos tempos da facu...). Agora é só esperar a revista sair do forno!

E não é que existe vida após um pé na bunda?


Nem acredito que fiquei tanto tempo sem escrever.... I’m sorry!
De cara, digo que, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, inclusive ele, a quem eu quis ver mortinho da silva. Apesar disso, segurei a onda, não fiz mais barraco, não xinguei mais e não o deixei.
Sim, ainda estamos juntos. E não, eu não sou uma mulher que sofre da falta de amor próprio. Simplesmente sou prática: temos muitas contas juntos, compromissos de uma "vida de casal", logo...
Em determinado momento, alguém me disse: Nani, wake up.
E assim foi, como se eu acordasse de um sono profundo (ou pesadelo?). Recuperei aquela parte de mim que estava meio perdida, escondida atrás de um relacionamento falso, cheio de mentiras. Passei semanas tentando descobrir o que tinha sido verdadeiro e o que era teatro. Desisti de descobrir, afinal, não importa mais. O que está feito, está feito.
Com isso, voltei a pensar em mim e não no tal "nós". Decidi perder uns quilos e pesquisei o preço em algumas academias (é, o complexo de Bridget Jones voltou com tudo). Também voltei a me emperiquitar toda, até pra ir trabalhar, afinal, mulher mulambenta não atrai olhar de ninguém e no momento, o que mais preciso é dar uma turbinada na minha auto-estima. Decidi mergulhar no trabalho também. Primeiro porque posso conseguir minha promoção e segundo, porque me ajuda a não pensar merda. Assim, estou trabalhando muito, voltei a ver minhas amigas, estou me divertindo, e tenho mil planos . Ainda que não os coloque em prática, vale a pena me certificar de que sou independente e de que estou viva após o doloroso pós-quase-pé-na-bunda. Como diz um amigo, homem só muda o tamanho do pinto e o número da conta bancária, então...

Meninos, tô na área!!

Sábado, Dezembro 27, 2008

Gotas de tristeza...


This is the end

Beautiful friend

My only friend, the end
Of our elaborate plans, the endOf everything that stands, the endNo safety or surprise, the endI'll never look into your eyes...again


É o fim

Querido amigo

Meu único amigo, o fim
De nossos planos detalhados, o fim

De tudo que está de pé, o fim
Sem segurança ou surpresa, o fim

Nunca vou olhar em seus olhos outra vez...

Música “The end”, do Doors


Acabou-se. Simples assim, como fumaça no ar. De tudo o que planejamos, sonhamos, vivemos, não sobrou nada. Um resto de mim, destruída, diminuída, machucada. Dói pensar que terminou, mas dói mais ainda pensar na forma estúpida que foi. Com mentiras, traição e um “estou apaixonado por ela” seco, nervoso. Nada de conversa honesta, de respeito por tudo o que vivemos, respeito pela nossa história, nem de preocupação com meus sentimentos. Foram quase cinco anos e não sobrou absolutamente nada...Me sinto tão inerte, tão impotente, tão fragilizada que me falta ar. Choro compulsivamente há dois dias e me pergunto por quê. Nem sei se isso importa (provavelmente não), mas para alguém nessas condições essa é a pergunta que não quer calar. Eu errei? Onde? Por que não me disse? Por que não me dispensou antes? Por quê?? A frase dele ecoa na minha cabeça...”estou apaixonado”....De repente me sinto um estorvo, um fardo, alguém inconveniente, que está atrapalhando o nascimento de um grande amor (tomara que os dois morram afogados nesse amor maldito).
Queria dormir por meses....anos.....Acordar e descobrir que estou velhinha, sentada em uma confortável cadeira de balanço fazendo tricô, enquanto meus netos brincam no chão da sala...Infelizmente tenho que suportar essa dor que parece me dopar, que atrapalha meu raciocínio, que faz as lágrimas escorrerem descontroladamente enquanto escrevo...

Segunda-feira, Outubro 13, 2008

O retorno



Meu Deus!!! Quase 1 ano sem escrever nada!!

Bom, certamente não foi por falta de assunto e sim pura falta de tempo.

De lá pra cá muita coisa aconteceu: no trabalho mudei de chefe uma, duas, três... quatro vezes!!!

To viajando muito, escrevendo muito, conhecendo muita gente. Esse mês tem um sabor especial porque uma das minhas matérias foi extremamente prazerosa de fazer. Foi cansativa, mas curti muitoo!!E ainda é capa do mês.

Agora também tenho um namorido. O duro é conciliar minha atribulada vida profissional com o papel de mulher "do lar". Foda. Descobri que casar não é bem como brincar de casinha. Quando a gente mora com alguém é tudo complicado. Da pasta de dente apertada na metade e toalha molhada na cama à divisão das contas. Sozinha é mais tranquilo. Ainda assim, está sendo proveitoso, já que é bom estar na companhia de quem se gosta. Eu classifico de colo 24 horas, que ajuda a recarregar a bateria. O bom é que, quando começa ficar um tantinho chato, as viagens permitem um novo fôlego.

Nesse final de semana, por exemplo, esqueci a fria e cinzenta paisagem paulistana e fui respirar o ar quente de Fortaleza. Um fds maravilhoso, regado a muito peixe, passeio nas dunas, sol escaldante e bate-papos deliciosos nos quiosques em frente à praia. Quando voltei, estava totalmente renovada, pronta para encarnar de novo o papel da mulher moderna, que se desdobra pra ser Amélia, profissional, mulher e mãe.
Paisagem linda 1: A vista do hotel da bela Recife
Paisagem linda 2: O charmoso restaurante em Porto Velho, em frente ao rio Madeira

Segunda-feira, Novembro 26, 2007

Boss novo. Ou melhor, Bossa nova


Estou de chefe novo. Ou melhor, nova. Vânia. Dois anos em Londres, um marido, sem filhos, experiência em grandes jornais, mas em revista não muita. Riso fácil, voz suave, jeito de quem está realmente interessada em fazer a coisa decolar. Foi o que apurei até agora. Apesar de saber que leva algum tempo até formarmos opinião sobre alguém, minha primeira impressão foi boa. Me pareceu alguém fácil de conviver, que ouve, pergunta, presta atenção nas respostas. Nada de Hatsumomo na meia-idade. Falando nisso, não fiquei feliz com a saída dela, apesar de tudo. Nem triste. Acho que fiquei aliviada apenas. Aprendi a não guardar rancor, muito menos a dedicar espaço na minha vida e na minha cabeça às pessoas que não me acrescentam em nada. De certo modo, agora estou me sentindo mais solta, com a sensação de que posso trabalhar melhor.

Quarta-feira, Novembro 21, 2007

Essa é pra macho!!!


Adoro a VIP. É machista, idiota e fútil, mas tão bem escrita e com tamanho bom-humor que eu não resisto. Leio sempre que posso! Não troco uma VIP por 10 Novas ou Cláudias. Essas são totalmente escrotas e sem sentido. Como uma revista que se diz para o público feminino acima de 30 anos gasta quase todo o seu editorial fazendo matérias sem pé nem cabeça? “Como enlouquecer seu homem na cama”. “Descubra como fisgar um marido”. “Saiba como ser sexy”. E a clássica “Aprenda a fazer sexo oral”. Que mulher, aos 30 anos, ainda não sabe fazer um boquete??? Pior, aprender isso numa revista? É foda. Só falta eles entregarem uma banana junto, pra mulherada treinar em casa.
A VIP é revista de homem para homem e por isso mesmo consegue agradar. Tem aquele machismo idiota intríseco aos homens, mas é tão bem escrita que acaba ficando atraente. Faz uma verdadeira apologia ao sexo sem-vergonha, à pegação desenfreada, incentiva os homens a serem canalhas. Ainda assim, os textos são interessantes, os artigos inteligentes e as matérias boas, apesar de sempre tratadas sob a (limitada) ótica masculina. As legendas das fotos são ótimas! Impossível não rir. Há testes pra saber se o leitor é mala, guia rápido para conseguir sexo anal e assim por diante. A revista não faz a menor questão de ser refinada ou glamourosa como a maioria das revistas femininas tenta ser. Ela é simples e direta, falando de assuntos que interessam aos caras: sexo, futebol, sexo, cerveja, sexo, balada, sexo, viagens, sexo, música, e mais sexo... Cultua bundas e peitos sem pudor, principalmente bundas. Eles devem até ter um altar na redação. Ao contrário de alguns místicos, que têm o Buda sentado, os caras optaram por enfiar um “n” no Buda (com o perdão do trocadilho) e criaram o culto à BUnDA. O que eles devem ter lá não é uma imagem sentada do gordo Buda, mas alguma coisa mais definida, provavelmente de costas. Ou de quatro.
É uma revista machista, mas divertida. Se fosse um homem, seria aquele cara gostoso e gatíssimo, mas totalmente cafajeste. Aquele cafajeste de quem toda mulher foge, mas que no final das contas, sempre leva a gente no bico.

Crise


Depois de queimar os neurônios tentando decidir, tomei coragem e falei pro Ju que queria terminar. Um caos, claro. Gritou, xingou, esperneou, e fez a pergunta básica “por que?”. Eram tantos porquês que tive dificuldade em enumerar. Acabou o sentimento? Claro que não, sou apaixonada por ele. No entanto, tenho a sensação incômoda de que ele não vai me oferecer aquilo de que eu preciso: estabilidade, solidez, segurança. Diz que pretende casar, mas sinto que ele tem mil planos que ocupam o topo da lista de prioridades. Aos 26 anos isso é normal. Eu também não planejava muito nessa idade, achava que teria todo o tempo do mundo. Só que agora, aos 34 anos, sinto meu relógio biológico tiquetatiar cada vez mais rápido. Estou às vias de comprar meu primeiro renew. “Cuidado, você esta ganhando peso. Pense bem, saiba como conduzir sua carreira. Tome cuidado, senão daqui a pouco não vai mais poder ser mãe de novo. ” Pra ajudar, tem sempre algum desavisado que pergunta “Você ainda não casou?”, como se eu fosse um caso digno de estudo. Complexo de Bridget Jones, eu sei, mas é natural em qualquer mulher, principalmente em uma com mais de 30, mesmo as mais seguras. O fato é que ele acha que podemos esperar e eu não. Quando duas pessoas têm planos tão diferentes, como fazer dar certo? Ao mesmo tempo, não queria que alguém ficasse comigo por pressão, como vejo algumas amigas fazendo. O cara tem que querer. Esse papo de que TEMOS que casar porque estamos juntos há um tempão é ridículo. Quero casar com alguém que esteja a fim, que queira curtir uma vida a dois, que queira somar. Eu e ele estamos apenas dividindo. Sonhos, planos, desejos. E o que é pior, contas! É foda, mas to numa fase onde curto ser um pouco Amélia. Não abro mão da minha profissão, amo o que faço, mas também curto essa “Amelice”. Gosto de ficar em casa, cozinhar, ver um filminho, me aninhar com alguém no edredom. Conversamos muito e ele acabou me convencendo de que nos gostamos demais para desistir assim. O lema é “que seja eterno enquanto dure”, então, vou aproveitar enquanto houver sentimento.

Eterna



Estava olhando as últimas fotos que a Marylin Monroe fez, no hotel hotel Bel Air, em Los Angeles, pouco antes de morrer... Linda. Algumas fotos mostram uma Marilyn um tanto cheinha para os padrões atuais (detalhe da dobrinha na foto), mas já é sabido que hoje a Srta. Monroe seria considerada gordinha . Talvez até nem fosse um sex symbol. De qualquer forma, ela continua sendo uma deusa, minha Pin Up preferida. E estimula nós, pobres mortais, preocupadas com nossas gordurinhas, a relaxarmos um pouco.

Pin Ups & Tatoos


Fiz minha primeira tatuagem!! Pois é, criei coragem e numa homenagem à beleza e sensualidade de todas a pin ups, inclusive as modernas, desenhei duas cerejas no ombro. Valeu a pena todo o nervoso, medo e dor que passei. Estou me sentindo tão sexy! É difícil escolher um desenho pra por no corpo, principalmente sabendo que o troço vai ficar lá pra sempre. Como tenho bom senso, não queria fazer uma coisa no calor do momento. Sim, porque aos 20 anos é legal fazer uma tatto, um lindo pássaro de asas abertas, por exemplo. Só que com o tempo, e a conseqüente flacidez da pele, o desenho não continua o mesmo. Assim, aos 60 anos é bem provável que as asas do pobre pássaro estejam totalmente caídas. Lembrei que uma vez fomos a um bar e lá tinha uma figura assim. Tinha por volta de 60 anos e várias tattos. Estava com um grupo de amigos e parecia totalmente á vontade com a “galera”. Ainda assim, aquilo me pareceu totalmente estranho para uma senhora idosa. Era como se ela estivesse tentando recuperar o tempo perdido. Meu irmão cochichou no meu ouvido “é você amanhã....”. Analisando tudo isso, cogitei um milhão de desenhos, pensando aquilo ficaria dali a alguns anos. Dependendo do que eu fizesse seria vista não como uma velhinha assanhada, mas uma velhinha sem noção. Meus pais de deserdariam e meus netos iriam perguntar “Vovó, isso aqui era o quê?” Pensei bem antes de escolher, mas a idéia foi mesmo do Ju. Ele sabe o quanto curto pin ups e achou que ficaria lindo em mim, além de não ser nada grosseiro. Acabei concluindo que como primeira tatoo, essa era a ideal. Uh-la-lá!!

Terça-feira, Agosto 28, 2007

O assassinato do portuga

Outro dia conheci um cara super gente boa. Bonito, simpático, divertido. Resolvemos trocar e-mails, afinal, a tecnologia existe para facilitar a comunicação. Ao receber o primeiro, porém, levei um susto. Era algo mais ou menos assim: “Po a gente precisa ser ver mais to com muita saudade preciso te contar o que aprotarão pra mim foi muito divertido te encontrar semana passada eu sempre gosto do seu papo aliás gosto de tudo em você que é bonita e simpática e inteligente”. Precisei ler o tal e-email umas três vezes, para poder começar a pensar em decifrar aquele emaranhado de palavras desconexas. “O homem sem ponto”, pensei. Horrível! A primeira coisa que me veio à cabeça foi questionar em que momento da vida escolar as aulas de português dele foram substituídas por alguma outra atividade menos “chata” ou “cansativa”. Óbvio que depois disso o fulano perdeu totalmente a graça e eu fugi dele como o diabo foge da cruz, como qualquer mulher com neurônios ativos faria.
Meses depois, fui pautada para escrever uma matéria sobre Second Life (Aliás, outra novela). Precisava saber tudo sobre aquele papo de criar uma eu digital, ter uma segunda vida e bla bla bla....Bom, a primeira coisa que fiz ao nascer digitalmente foi cair numa espécie de maternidade virtual, onde os avatares recém-nascidos recebem as primeiras instruções. Há um instrutor, designado especialmente para orientar essas criaturas perdidas. Ao chegar, perguntei se ali era uma espécie de limbo e a reposta foi “não, aqui é uma ilha de adaptação”. Percebi que o tal instrutor não sabia o que era limbo e resolvi me inteirar mais sobre aquilo com outras pessoas.
Na semana seguinte, continuei a pesquisa para a minha matéria e entrei em diversos blogs especializados no assunto. Um deles, que tinha um layout bem legal e era de um cara conceituado no assunto, me chamou a atenção. A leitura começou agradável até que me deparei com um “agente precisa”....Hã? Agente?? “Só se for secreto”, pensei. Achei que poderia ser um engano, mas estava lá uma, duas, três vezes! Continuei a leitura, mais por curiosidade em achar erros do que aprender sobre tecnologia. Esbarrei com um “derrepente” pouco depois e quase caí da cadeira. O site era bem bacana, bonito, informativo, tinha muita coisa interessante para ler, para aprender, mas ficou claro que a pessoa que o alimentava era péssima para escrever. Outra vez, me questionei sobre a dificuldade das pessoas com gramática e afins. Como alguém consegue escrever um texto tão rico em informações, mas tão pobre em gramática?
Dias depois, outro absurdo. Faço parte de um grupo de jornalismo que recebe informações sobre cursos e palestras, além de oportunidades de trabalho. Recebi um e-mail onde se lia que era “impressindível” que o candidato tivesse essa e aquela qualificação. Minutos depois, novo e-mail, onde a pessoa se desculpava pelo erro (alegando pressa), dessa vez com a palavra correta: imprecindível. Correta na cabecinha dela, claro. Esse grupo, aliás, tem sido um dos que mais tem me deixado boquiaberta. É um verdadeiro festival de emeio, mensionar, fize-se....São jornalistas formados e estudantes! Como pode? Isso é muito preocupante! O que aconteceu com a língua portuguesa? Por que tamanha falta de qualidade nesses novos profissionais? Não só com esses profissionais, mas com a maioria das pessoas?
Essa dúvida começou a corroer meu cérebro. Lembrei que em uma das minhas entrevistas participei de um seminário sobre a jovem cultura tecnológica que está sendo criada. Uma das especialistas dizia que a geração de hoje é diferente, eles não têm o dom da escrita, mas isso não é ruim, já que outras habilidades são desenvolvidas. As crianças e jovens de hoje (e o adultos de amanhã) escrevem e falam pouco, mas são muito mais competitivas e gostam de desafios, dizia ela. Até uma nova linguagem, própria de comunicadores instantâneos, como o MSN, já existe (lembrei do “naum, do vc, pq...”). Enquanto ouvia uma série de explicações sobre essa nova geração, fiquei pensando em como serão esses futuros adultos. Sim, porque eles estão “criando uma nova forma de interação com o mundo da tecnologia, e há pouco espaço para o papel, por exemplo”. Em outras palavras, isso significa que daqui a pouco vai ter gente que nem vai saber o que é um livro! Não saberão quem foi Machado de Assis, Clarice Lispector, Eça de Queirós, Érico Veríssimo, Rubem Braga, Monteiro Lobato, João Cabral de Melo Neto, Fernando Morais!
Ao que tudo indica, elas falarão pouco, mas terão uma linguagem própria, aquela citada há pouco. Serão habilidosas em muitas coisas, principalmente em tecnologia, e o número de blogs e sites será ainda maior. No entanto, nem todos terão realmente qualidade, porque, em algum momento, essas pessoas tão antenadas com o novo perderam o interesse pela língua portuguesa, deixaram de se importar com o fato de escrever bem, de saber se expressar, de conhecer a língua-mãe. È provável que a forma de expressão mais comum seja através dos conteúdos (ruins) produzidos.
Não sou contra a chamada web 2.0, pelo contrário! Acho maravilhoso o fato de ter liberdade para se expressar, mas sinto pesar em perceber que poucos o fazem de forma coesa. Não seria maravilhoso se todo o conteúdo da internet tivesse alta qualidade? Se recebêssemos e-mails bem escritos? Se pudéssemos conversar com as pessoas em uma linguagem clara e sem esse maldito gerundismo? (Aliás, hoje no almoço uma moça perguntou se podia “estar sentando ao meu lado”). O que será de nós, com tanta gente assassinando o bom e velho português??

Minha Segunda Vida


Enfim, minha matéria sobre o Second Life ficou pronta. Fiquei aliviada e com a sensação de dever cumprido. Apesar da sensação boa, porém, alguma coisa ainda me incomodava. Descobri que eu estava com uma necessidade enorme de falar sobre o assunto sob outro ângulo: o de uma simples usuária, ligeiramente devagar em tecnologia e totalmente leiga em vida digital.
O primeiro passo para escrever a matéria era criar o tal avatar. E foi exatamente aí que começou o meu calvário. Não tinha a menor idéia de como “gerar” uma criatura digital, nascida de mim, mas que não era exatamente uma filha e sim algo mais parecido com um clone meu. Enfim, aos trancos e barrancos, nasceu Lunnay Dryke, meu eu naquele mundo cheio de surpresas.
O sobrenome chique foi escolhido, digamos, por livre e espontânea pressão, já que é preciso escolher uma das famílias existentes no metaverso. Claro que me perguntei se a família que escolhi era centenária, se tinha posses virtuais, talvez até uma boa reputação. Será que os Dryke eram pessoas legais? Fosse como fosse, o nome era pomposo. Por algum motivo, Dryke me lembrava Drácula (eu sei, viagem total!) ou Draco e a pronúncia era bem agradável.
Escolhido o nome, nasci. Não pelada, como me disseram. Os avatares mais recentes já nascem devidamente vestidos, nada de gente nua e com cara de boba perambulando pelas ruas virtuais. Eu só não tinha rosto, aliás, demorei cerca de 1 mês para me dar conta de que eu precisava me “editar” e escolher exatamente quais feições eu teria, mas isso não era exatamente um problema.
Passado esse primeiro de sufoco, parti para a minha viagem rumo à Matrix. Aliás, pensando nisso eu bem que poderia ter escolhido Trinity....Bom, tarde demais. Lunnay Dryke já tinha dado o ar da graça naquele mundo estranho. Os primeiros instantes são, literalmente, estranhos. Caímos em uma espécie de “ilha de treinamento” e lá todos os novatos são orientados sobre como proceder na segunda vida. Confesso que não dei muita bola para o instrutor, que falava comigo e mais troçentas pessoas ao mesmo tempo, tão perdidas quanto eu. Aquela confusão de perguntas e gente perdida me enervava, então resolvi me virar sozinha.
É preciso dizer que eu sequer tinha alguma noção de como participar da brincadeira, era realmente como um recém-nascido, que não sabe nada sobre o mundo. Com isso, que as situações constrangedoras foram inevitáveis. A primeira delas foi quando meus pezinhos virtuais reclamaram do cansaço e decidi descansar. Eu também teria um ângulo melhor de quem chegasse e poderia observar com calma o comportamento do povo. Depois do que pareceu uma eternidade vi que não consegui executar um ato simples como sentar. Fiquei horas parada em frente a um banco, sem ter a menor idéia do que fazer e me sentindo uma perfeita idiota. Quando eu já ia desistir, um rapaz simpático me avisou que eu teria que dar alguns cliques para realizar certas ações como sentar e levantar. “Que idiota eu devo ter parecido, meu Deus....”. Esse foi apenas a primeira de muitas e levou dias para eu conseguir com que a pobre Lunnay tivesse certa mobilidade, conseguisse andar, sentar e ir de um lugar a outro sem grandes problemas.
Dias depois, resolvi que era hora de arriscar um vôozinho básico, afinal, todo mundo alardeava que essa era umas das grandes delícias do Second Life. Olhei atentamente para a tecla “voar” que aparecia na tela e fui em frente. Por alguns minutos, eu estava no céu e podia ver todos os meus amiguinhos avatares lá embaixo. Que emocionante, uma deliciosa sensação de liberdade! Quando resolvi descer, porém, descobri que não tinha feito a pergunta mais importante: como fazer para descer?? O resultado foi que me estatelei em cima de uma palmeira e fiquei lá durante um bom tempo, sacudindo braços e pernas de forma ridícula. Nesse momento, preferi sair do SL, tamanha a vergonha.
Quando entrei novamente, dessa vez, mais confiante, resolvi que era hora de fazer alguns contatos. Descobri o repórter de uma revista conhecida e imbuída de toda a minha simpatia, tentei iniciar uma conversa. O fulano, ou melhor, o avatar, porém, não deve ter achado a Lunnay muito atraente ou interessante, porque saiu de perto de mim rapidamente. Saí atrás, mas é claro que ele acabou voando e o máximo que consegui foi bater com a cara na porta de uma loja. Esse, aliás, era outro problema constante. Eu tinha dificuldade com portas, então, constantemente me batia contra uma delas. Passei a ter receio de entrar e muitas vezes perdia um tempão em frente às lojas calculando o espaço da bendita porta e, é claro, tentando não passar vergonha de novo.
O objetivo inicial de tentar conhecer pessoas acabou se revelando uma tarefa não muito fácil. Quando Lunnay nasceu, achei que ela faria parte de um novo mundo, animado, cheia de gente interessante, enfim, que “bombava”. Descobri que a coisa não é bem assim. Boa parte das ruas está sempre vazia e salvo alguns gatos pingados, não há muito com quem conversar. Fiquei me perguntando onde estaria a multidão que a imprensa tanta falava. Desde que foi criado, o números de avatares aumenta expressivamente, é verdade, mas o fato é que eu não tava vendo esse povo todo lá. Talvez estivesse entrando no horário errado, mas ainda assim não imaginei que os habitantes fossem tão escassos.
Bom, teria que arrumar alguma coisa para fazer. Como qualquer alma feminina, achei que fazer compras seria um bom programa, principalmente porque tinha ouvido que havia muita coisa bacana para se consumir naquele maravilhoso mundo. Me dei conta, porém, de que não tinha um mísero linden dóllar no bolso e que comprar qualquer coisa seria meio difícil. Aí bateu a deprê. Pobre na vida real tudo bem, mas no mundo virtual também? Ninguém merece!! Não ter amigos virtuais é triste, mas pior ainda é descobrir que no computador sou mais pobre do que na vida real! Nada de crediário, cartão de crédito, parcela, carnê. O negócio é tudo no cash. Humpf!
Eu tinha que arrumar um jeito de conseguir alguma renda e percebi que o lance seria arrumar um emprego. Mas como? Não tinha qualificação profissional virtual nenhuma e nem sabia como fazer contato, já que as lojas estavam sempre vazias. Quem sabe dançarina de boate? Talvez rendesse uma boa grana. Bom, mas se eu mal conseguia entrar em algum lugar sem brigar com a porta, o que dirá dançar ou rebolar!!! A vantagem era que poderia descobrir um pouco mais sobre o dark side daquele mundo digital. Todo mundo falava em abrir negócio, em ir a festas, em assistir palestras legais, mas eu sabia também que muita gente era atraída pelas coisas, digamos, politicamente incorretas que se pode fazer lá. Há casas de prostituição e o sexo rola sim. Esse, aliás, é um dos mercados que mais cresce por lá. Apesar de não ser o foco da minha matéria, eu TINHA que saber como aquelas pessoas realizavam um ato tão físico. A curiosidade feminina falou mais alto, admito.
Como nascemos seres assexuados no SL, para que se possa dar uma namoradinha qualquer é preciso dispor do órgão sexual, vendido facilmente em lojas especializadas. No entanto, como eu era pobre, fiquei na vontade. Não que eu esteja desesperada na vida real, mas é que como a repórter que sou, fiquei curiosa. A aventura virtual só não foi possível (e eu espero que o meu namorado jamais saiba disso) porque mais uma vez faltou verba. E a minha editora não tinha destinado nenhum realzinho para eu investir na (literalmente) pobre e (certamente) carente Lunnay.
Percebi que eu era um ser meio bizarro ali: pobre, sem rosto e sem sexo. Me senti meio “incompleta”. Mas aproveitei esse momento de reflexão da Lunnay para me perguntar: será que todo mundo que estava ali tinha realmente investido na vida real? Quer dizer, a coisa mais importante que descobri ao viver digitalmente foi que não dá para se divertir e aproveitar realmente a second life sem botar grana de verdade.É simplesmente impossível! Sem isso, o ser humano, ops, o avatar fica vagando a esmo, sem ter muito o que fazer. Esse, aliás, é outro problema. Tudo, absolutamente TUDO o que se queira fazer é preciso dispor de tempo. Para aprender a mexer no programa, para procurar os lugares, as pessoas, para perguntar, para fuçar. Quem quer entrar de cabeça no mundo virtual, tem que dispor de MUITO tempo livre na vida real. E isso, eu realmente não tinha. Além da Lunnay e suas aventuras, eu tinha que organizar a vida da Nani, trabalhar, namorar, fazer pesquisa, ser até dona de casa. E ainda comer, dormir...
O second Life é sim uma idéia interessante, mas digamos que ele ainda precisa melhorar, amadurecer. Talvez daqui a alguns anos, a coisa tenha evoluído e eu tenha mais avatares para interagir comigo e para quem eu possa fazer perguntas simples, como “como eu faço para ir para Paris?”. Sim, porque digitei Paris no search e cai num lugar estranho, que mais me lembrava a ilha do Dr. Moreau.... Desesperada, voltei imediatamente à familiar Berrini e suas lojas vazias. Com o susto, vi que passear virtualmente pelo mundo ainda é complicado para mim. E decidi que vou esperar o Neo (ou algum outro “escolhido”), para me guiar com segurança.