
Aos 10 anos, ela queria ser freira. Aos 12, bailarina. Aos 14, os professores do colegial insistiam que deveria tentar o jornalismo. Ela nem ligava. A essa altura queria mesmo era ser atriz. Tinha certeza absoluta de que tinha nascido para a coisa. Era apaixonada por cinema, assistia empolgada aos filmes que passavam na TV, inclusive filmes antigos, prestando atenção em cada detalhe. Era o máximo! A única coisa que prendia sua atenção tanto quanto um bom filme era um bom livro.
Passava horas na biblioteca, olhando todas as prateleiras em busca de algum exemplar que tivesse uma história bem legal. Fazia isso desde os 7 anos. Seu primeiro grande livro foi “A moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, aos 8 anos, seguindo de“Pollyana” e “Pollyanna Moça”, de Eleanor H. Porter, aos 9. Um clássico, mas ela nem fazia idéia disso. Aos 10 anos já tinha lido a coleção completa de romances da irmã: Bianca, Sabrina e Julia (levou uma bronca da “fêssora” que dizia que ela não tinha idade para ler aquilo). A coleção de livros de bolso de histórias do FBI do irmão também caiu em seus olhinhos vorazes.
Ia na biblioteca sozinha, porque as amiguinhas achavam muito chato aquele negócio de livro e preferiam ficar brincando de dona-de-casa, com suas panelinhas e fogõeszinhos de brinquedo. Ela não gostava. Queria era ler histórias de todo o tipo, saber das coisas!
Na escola, era apaixonada por português e história. Sua paixão pela Grécia nasceu aí. Os professores, naturalmente, insistiam “você gosta de ler e escrever, por que não faz jornalismo?”. Porque tinha descoberto que adorava dançar. E queria estudar dança, ser bailarina clássica ou mesmo de jazz, para dançar divinamente como Jennifer Beals no filme Flashdance.
Aos 14 anos, no intervalo entre um passo e outro de dança (no meio da sala de casa, a contragosto da mãe), ficou encantada com um livro emprestado pelo cunhado, Olga, de Fernando Moraes. Era a história bacana de uma mulher forte, que lutava num país cheio de injustiças. Um Brasil muito complicado, que ela não entendia muito bem, liderado por um cara sacana chamado Getúlio Vargas. Ela não comeu, não bebeu e não parou de ler até chegar ao final do livro, para saber o que aconteceria com a pobre Olga. Levou bronca da mãe, claro e, ao final do livro, estava triste. E com fome.
Continuava apaixonada pelos filmes e seriados da TV. E um dia percebeu que alguns heróis, como Mulher-Maravilha, Super-Homem e Homem-Aranha usavam o disfarce de jornalistas. Que coincidência!! Será que um dia seria uma heroína também??
Pouco depois se deu conta de que ler era seu passatempo preferido. Gostava cada dia mais, nunca se cansava. E à medida que crescia, continuava lendo.... Na adolescência, a coleção Vaga-lume passou por sua mão, começando com Spharion. A marca de uma lágrima, leu aos 15 anos... seguido de uma dezena de outros: A Revolução dos Bichos, Feliz Ano Velho...Apaixonou-se por Sidney Sheldon e Agatha Christie. E por Machado de Assis, Fernando Moraes, Caco Barcelos...Truman Capote virou ídolo. Política virou um assunto interessantíssimo, com Notícias do Planalto. Leu clássicos, romances, livros bobos e inteligentes. Leu até livros esquisitos e toscos, como um livro esotérico que um cara deu a ela no meio da rua (Horrorosooo!!). Perdeu a noção de quantos livros leu ao longo da vida.
Já adulta, o bom desempenho ao escrever cartas, relatórios e textos nos empregos acabou convencendo-a de que tinha certa aptidão. A paixão pelo cinema tinha se transformado em hobby e, aos poucos, foi se inebriando com as possibilidades que o jornalismo oferecia, como as inúmeras histórias que poderia contar, de como seria bom informar as pessoas, fazê-las entender como o mundo funcionava. Estava cada vez mais convicta de aquela era uma função quase social, afinal, falar sobre as mazelas do mundo era realmente um dom.
Aos 28 anos, resolveu encarar os 4 anos de faculdade, cheia de idealismo. No primeiro ano, descobriu que ser jornalista era muito mais complicado do que imaginava. Os professores não paravam de frisar que quem quisesse realmente trabalhar na área, tinha que se preparar para o pior: o jornalismo pagava muito mal, não havia vagas nas empresas e não se conseguia ingressar na carreira sem um QI. Ouviu listas intermináveis de prós e contras da profissão (mais contras do que prós, diga-se de passagem), além de detalhes sórdidos de como os grande veículos manipulam a informação em benefício próprio.
Pensou em desistir inúmeras vezes, em mudar de profissão, em jogar tudo para o alto, tamanha a raiva e frustração. E só não o fez até hoje porque todos os dias acontece um milagre: ela senta em frente ao computador e escreve. Matérias para a revista que trabalha atualmente, e-mails quilométricos para as amigas, textos e crônicas, para o seu blog. E sente um prazer enorme ao fazer isso, que não sente fazendo nenhuma outra coisa. É ali, no meio de tantos pensamentos, que surgem aos borbotões, de frases cuidadosamente elaboradas, da preocupação com a gramática, que ela se sente realizada.
Ainda se sente meio ridícula por manter esse romantismo. Sabe que um dia vai mudar, que vai ficar mais lúcida quanto à realidade da profissão. Bom, até lá, ela prefere curtir esse encantamento e lembrar daquela garotinha que se perdia em meio a tantos livros e que adorava conhecer novas histórias...Porque foi nisso que ela se transformou: numa contadora de histórias.
Passava horas na biblioteca, olhando todas as prateleiras em busca de algum exemplar que tivesse uma história bem legal. Fazia isso desde os 7 anos. Seu primeiro grande livro foi “A moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, aos 8 anos, seguindo de“Pollyana” e “Pollyanna Moça”, de Eleanor H. Porter, aos 9. Um clássico, mas ela nem fazia idéia disso. Aos 10 anos já tinha lido a coleção completa de romances da irmã: Bianca, Sabrina e Julia (levou uma bronca da “fêssora” que dizia que ela não tinha idade para ler aquilo). A coleção de livros de bolso de histórias do FBI do irmão também caiu em seus olhinhos vorazes.
Ia na biblioteca sozinha, porque as amiguinhas achavam muito chato aquele negócio de livro e preferiam ficar brincando de dona-de-casa, com suas panelinhas e fogõeszinhos de brinquedo. Ela não gostava. Queria era ler histórias de todo o tipo, saber das coisas!
Na escola, era apaixonada por português e história. Sua paixão pela Grécia nasceu aí. Os professores, naturalmente, insistiam “você gosta de ler e escrever, por que não faz jornalismo?”. Porque tinha descoberto que adorava dançar. E queria estudar dança, ser bailarina clássica ou mesmo de jazz, para dançar divinamente como Jennifer Beals no filme Flashdance.
Aos 14 anos, no intervalo entre um passo e outro de dança (no meio da sala de casa, a contragosto da mãe), ficou encantada com um livro emprestado pelo cunhado, Olga, de Fernando Moraes. Era a história bacana de uma mulher forte, que lutava num país cheio de injustiças. Um Brasil muito complicado, que ela não entendia muito bem, liderado por um cara sacana chamado Getúlio Vargas. Ela não comeu, não bebeu e não parou de ler até chegar ao final do livro, para saber o que aconteceria com a pobre Olga. Levou bronca da mãe, claro e, ao final do livro, estava triste. E com fome.
Continuava apaixonada pelos filmes e seriados da TV. E um dia percebeu que alguns heróis, como Mulher-Maravilha, Super-Homem e Homem-Aranha usavam o disfarce de jornalistas. Que coincidência!! Será que um dia seria uma heroína também??
Pouco depois se deu conta de que ler era seu passatempo preferido. Gostava cada dia mais, nunca se cansava. E à medida que crescia, continuava lendo.... Na adolescência, a coleção Vaga-lume passou por sua mão, começando com Spharion. A marca de uma lágrima, leu aos 15 anos... seguido de uma dezena de outros: A Revolução dos Bichos, Feliz Ano Velho...Apaixonou-se por Sidney Sheldon e Agatha Christie. E por Machado de Assis, Fernando Moraes, Caco Barcelos...Truman Capote virou ídolo. Política virou um assunto interessantíssimo, com Notícias do Planalto. Leu clássicos, romances, livros bobos e inteligentes. Leu até livros esquisitos e toscos, como um livro esotérico que um cara deu a ela no meio da rua (Horrorosooo!!). Perdeu a noção de quantos livros leu ao longo da vida.
Já adulta, o bom desempenho ao escrever cartas, relatórios e textos nos empregos acabou convencendo-a de que tinha certa aptidão. A paixão pelo cinema tinha se transformado em hobby e, aos poucos, foi se inebriando com as possibilidades que o jornalismo oferecia, como as inúmeras histórias que poderia contar, de como seria bom informar as pessoas, fazê-las entender como o mundo funcionava. Estava cada vez mais convicta de aquela era uma função quase social, afinal, falar sobre as mazelas do mundo era realmente um dom.
Aos 28 anos, resolveu encarar os 4 anos de faculdade, cheia de idealismo. No primeiro ano, descobriu que ser jornalista era muito mais complicado do que imaginava. Os professores não paravam de frisar que quem quisesse realmente trabalhar na área, tinha que se preparar para o pior: o jornalismo pagava muito mal, não havia vagas nas empresas e não se conseguia ingressar na carreira sem um QI. Ouviu listas intermináveis de prós e contras da profissão (mais contras do que prós, diga-se de passagem), além de detalhes sórdidos de como os grande veículos manipulam a informação em benefício próprio.
Pensou em desistir inúmeras vezes, em mudar de profissão, em jogar tudo para o alto, tamanha a raiva e frustração. E só não o fez até hoje porque todos os dias acontece um milagre: ela senta em frente ao computador e escreve. Matérias para a revista que trabalha atualmente, e-mails quilométricos para as amigas, textos e crônicas, para o seu blog. E sente um prazer enorme ao fazer isso, que não sente fazendo nenhuma outra coisa. É ali, no meio de tantos pensamentos, que surgem aos borbotões, de frases cuidadosamente elaboradas, da preocupação com a gramática, que ela se sente realizada.
Ainda se sente meio ridícula por manter esse romantismo. Sabe que um dia vai mudar, que vai ficar mais lúcida quanto à realidade da profissão. Bom, até lá, ela prefere curtir esse encantamento e lembrar daquela garotinha que se perdia em meio a tantos livros e que adorava conhecer novas histórias...Porque foi nisso que ela se transformou: numa contadora de histórias.
